A Barrela

Ontem descobri no livro da 3ª classe de uma das minhas tia, datado de 1950, um texto sobre a barrela. Achei curiosa a descrição de como as cinzas eram utilizadas para branquear a roupa. Faziam uma líxivia de cinzas que depois vertiam a ferver sobre a roupa.  Uma trabalheira imensa que as mulheres tinham para ter a roupa impecavelmente limpa.
Bendita invenção, a da máquina de lavar a roupa. Será que a líxivia de cinzas funciona nela? Tenho de experimentar.


Aqui fica o texto da barrela:

"- Que está a tia Ana a fazer? Aquela cinza assim, em cima da roupa já lavada, vai sujá-la mais do que estava...
Isto dizia à mãe o Alberto, rapazinho da cidade, que nunca tinha visto fazer uma barrela, ignorando, portanto, que a cinza da lenha é a substância de que se extraem em grande parte os elementos com se fabrica o sabão.
Electivamente, em terras da província é muito vulgar ver, nas ribeiras aonde as mulheres vão lavar a roupa, fazer uma barrela, para evitar maior consumo de sabão.
O Albertinho reparou então melhor e viu que a tia Ana, depois de lavar a roupa, a punha dentro de um cesto, coberto com um pano limpo, e numa fogueira colovava um caldeirão com água e cinza.
Depois, quando tudo estava a ferver, lançava essa mistura sobre o pano que cobria a roupa. A água então escorria, escorria, indo encharcar tudo.
A tia Ana tornava em seguida a passar a roupa na água corrente da ribeira, dava-lhe mais uma pequena lavagem, torcia-a bem para escorrer a água toda, e ia estendê-la ao sol, molhando-a de vez em quando com um regador, para corar bem, dizia ela.

E que branquinha a roupa ficava depois, sem nenhuma nódoa!"