Os coelhos e os ratos, fazem parte do meu imaginário infantil. Aparecem em diversas histórias ora com o ar mais fofinho, ora com a ar mais maroto. Nos desenhos animados do Pernalonga e do "Tom e Jerry" temos a versão mais marota de ambos os mamíferos, que com os seus olhares mais doces fazem as maiores travessuras. Achava-os divertidos, mas confesso que só agora, com a nossa mudança para o campo, os consigo compreender na totalidade.
Os matreiros dos coelhos comem-nos as culturas e os marotos dos ratos as sementes para além de nos testarem a entrada em casa a todo o instante. Vivências às quais não estava de todo habituada e com as quais não contava por não fazerem parte do meu imaginário. Quando moramos na cidade estamos "protegidos" destes roedores nossos "inimigos" ancestrais, no campo temos que nos ligar com a natureza e aprender a defender as nossas colheitas e a nossa casa deles a todo o instante.
Tivemos de armar "caça" aos "inimigos". Já experimentámos cabelos e pelos de pessoa e de cão e os finórios dos lindos coelhinhos (sim, são lindos!) não querem nem saber. Ao espantalho ganharam medo nos primeiros dias, depois passou-lhes. As colheitas estão agora protegidas por rede, mas mesmo assim os coelhos conseguem roê-la com os seus poderosos dentes. Por isso todos os dias há que fazer a verificação da rede e repará-la, à noite até ir para a cama volta e meia lá vamos espreitar as culturas e "enchutar" os coelhos com o cães. Quanto aos ratos há armadilhas armadas em vários sítios, mas mesmo assim os finórios conseguiram roubar-nos todas as sementes de abóbora, cabaça e luffa dos germinadores.
Aventuras do campo, com as quais aprendemos lentamente a lidar.
