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03 dezembro 2010

Desafio de Culinária Reciclada

A Rute desafiou-nos para participarmos neste projecto de Culinária Reciclada que o blog Delícias e Talentos está a alojar e nós aceitámos.
Cá por casa é raro desperdiçarmos comida, todos os restos são consumidos quer por nós quer pelos animais (galinhas, gatos e cão). Desde criança sempre me habituei a ver os restos a serem reaproveitados pela minha mãe e pela minha avó. A minha avó que faria 100 anos no próximo ano, passou pelas privações do início do século XX, era uma mulher habituada a fazer milagres. Perante a privação aprendeu a arte de transformar o pouco em muito e nunca lhe faltou nada, nem a ela nem aos seus  oito filhos. Lembro-me de dois pratos seus de reaproveitamento que eu adorava, migas e açorda. Sendo ela alentejana, as migas, para quem não sabe, são a "papa" de pão e a açorda é feita com o pão à fatia. A minha mãe começou a gerir o seu orçamento familiar no iníco da segunda metade do século XX, deparou-se com uma mesa mais farta do que a sua mãe mas ainda assim sem excessos e também ela reciclava a comida.  A mim, descendente destas duas mulheres batalhadoras, calhou-me a sorte de iniciar a minha vida independente na época da abundância. Mesa farta e frigorífico sempre cheio. Confesso que no início deixava estragar alguma comida. Um desperdício de energia e de recursos! Felizmente não durou muito tempo esta minha atitude e rapidamente passei a ponderar melhor o que comprar, sem excessos, e a reutilizar os restos.
A época da abundância chegou ao fim, por agora. As experiências da minha mãe e avó e das outras antes delas, guiam-me a um porto seguro, sei que se elas conseguiram gerir as suas vidas, eu também o vou fazer. A crise económica de que tanto se fala leva-nos a uma vida mais simples e equílibrada, o que vendo bem é positivo. Consumimos menos, poluimos menos. A Terra agradece!   

O prato que vos apresento é a receita de aproveitamento de carnes da minha mãe e era um dos meus pratos preferidos em criança.
 Empadão de Carne
Picar a carne a aproveitar de preferência juntamente com um pouco de chouriço (reservar algumas rodelas para enfeitar).
Fazer molho béchamel em quantidade suficiente para envolver a carne picada. Retificar os temperos da mistura a gosto.
Fazer um arroz branco em quantidade suficiente para o tabuleiro que se vai usar. Fazer uma cama no fundo do tabuleiro sobre a qual se coloca a mistura da carne e cobrir com o resto do arroz.
Pincelar com uma gema de ovo e enfeitar com o chouriço. Levar ao forno até estar bem quente e  tostadinho.  

14 comentários:

  1. Uma boa participação a tua....
    Beijinhos e BFS

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  2. Hummmm ai eu gosto tanto de empadão!

    Nham nham! E que bom aspecto que esse tem

    Bom fim de semana

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  3. Um pitéu.
    A minha mãe também tem por hábito fazer a carne com o molho béchamel, para o empadão.

    beijinho

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  4. Miga Luísa,
    hoje estou ao serviço duma empresa-cliente o dia todo por isso não me posso demorar por aqui. Volto mais longo, mas antes quero lembrar que tens de avisar a organização do evento para publicarem o link da tua participação, por favor:

    culinariacolectiva@gmail.com

    Não sou eu q estou com as publicações esta semana. É uma das regras o email.
    beijinhos.

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  5. Rute já enviei o email.
    Beijo grande

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  6. Olá!!! (E até já (se é que já não vens a caminho!!!) :)

    A minha avó e a minha mãe também faziam empadão de arroz, mas não usavam o molho béchamel... assim deve ficar ainda melhor!
    E a minha avó também fazia migas, mas só chamavam migas, lá na terra dela, se fossem feitas com broa de milho esfarelada e à qual juntavam couves migadas (ou nabos _ cabeça e rama); se fosse com pão, espremido, porque na zona de Coimbra não usam fazer à fatia (pão à fatia chamam-lhe "açorda alentejana") já lhe chamam açorda; cada terra com as suas designações! É como os fritos de Natal, aqui em baixo chamam sonhos, lá em Coimbra, os sonhos não levam abóbora, se levarem já se chamam "belhós" e as filhoses são só de farinha e ovo; e às rabanadas chamamos "fatias paridas" ;) Bem...
    Bem, daqui a pouco já apetece é almoçar!!!
    Beijinhos :)

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  7. cá por casa também se faz mas substituo o bechamel por um refogado e depois misturo a carne com o arroz.
    beijocas

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  8. É verdade, há que aproveitar. E assim se poupa!

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  9. Luísa um empadão com sobras desde miuda que me lembro da minha mãe fazer.Obrigado por nos lembrar.

    Bjs

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  10. Voltei para ler a maravilha de texto apresentada.
    Ao que parece a reflexão, à volta da reciclagem de sobras, lembrou-nos a todas de outras épocas bem mais conscientes do caracter finito dos recursos.

    Gostei da subtil homenagem que fizeste a 2 grandes mulheres, a tua mãe e a tua avó.

    Eu fui criada pela minha bisavó e apesar de ser uma mulher analfabeta, ensinou-me IMENSO!
    Beijinhos e obrigada por tudo.
    Adorei todas as participações das mamãs do ensino doméstico. Estão de parabéns.
    Rute

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  11. Pode ser que esta crise sirva para aprendermos a poupar de verdade. Adquirir novos hábitos, já que tantas vezes consumimos o que não faz falta...
    Se gosto de migas e de açorda!

    beijinhos e uma boa semana :)

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  12. Cá em casa também aproveito tudo e por cá também faço muita vezes empadão de carne mas com puré de batata :)
    Aliás, no blog culinário às vezes até tenho a sensação de que estou a publicar muitas receitas com restos mas custa-me deitar fora comida que esteja ainda boa.
    Adorei ler a história da tua avó e da tua mãe.
    Beijinhos grandes.

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