Costurices...

Quando eu era criança toda a minha roupa era feita pela minha tia. Foi com ela que aprendi os rudimentos da costura. Ficava fascinada ao vê-la dar forma a um pedaço de tecido, transformando-o em roupa. Foi através da observação do seu trabalho que me aventurei um dia a fazer a minha primeira blusa que, tendo em conta a minha experiência, ficou muito bem. Agora minha tia está num lar, quase cega e completamente incapacitada de fazer qualquer trabalho manual. Há uns tempos tinha-me oferecido a sua mesa de trabalho, agora alguns dos seus livros de costura e uma das suas máquinas de costura. Fica-lhe o alento que os seus objectos irão ser estimados e usados. Eu fico-lhe profundamente agradecida não só porque estes objectos fazem parte das minha memórias de infância, mas também porque são muitíssimo úteis.
Quanto a mim, com a chegada da máquina, ando a tentar perder o meu medo de coser. Quando criança numa das minhas experiências, às escondidas da minha avó, furei o meu dedo na sua velhinha Husqvarna (uma daquelas máquinas pretas antigas). Desde então faço tudo, menos coser à máquina. O que é uma grande limitação, visto ter de estar sempre à espera da disponibilidade de terceiros para concretizar os meus projectos (neste caso o pai cá de casa). Ontem já consegui coser um pouquinho  sem medo. A verdade é que com as máquinas de costura mais recentes é quase impossível furar um dedo. Quando acabar por vencer este meu receio, tenho já vários projecto iniciados e prontinhos a ser acabados por mim na máquina de costura da minha tia M.